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[Manager Empregos] Entretenimento e negócio
Entretenimento e negócio
por Wagner Belmonte
Ao desenvolver o projeto, pretendia-se atrair turistas e ditar um novo rumo- transformar - a região. A Costa do Sauípe está 76 quilômetros ao norte de Salvador. O empreendimento, construído em terreno da Odebrecht e financiado pela Caixa de Previdência Privada do Banco do Brasil (Previ), consumiu investimentos de R$ 340 milhões.

Tudo ali é grandioso: o complexo está espalhado em 176 hectares, agrupa cinco resorts construídos por três das maiores empresas de hotelaria do mundo, seis pousadas, campo de golfe, 15 quadras de tênis, área de lazer com piscinas, lojas, bares, restaurantes etc.. "É um pedaço do paraíso", brinca o executivo Marcos Alexandre Silva, que há dois anos e meio responde pela área que une marketing ao entretenimento.

O "pedaço do paraíso" também fincou bandeiras em ações sociais. O empreendimento Costa do Sauípe, Fundação Banco do Brasil e Previ uniu-se para criar um programa social com a finalidade de melhorar a qualidade de vida de quem vive por lá. Em julho de 2003, nascia o Programa Berimbau, apoiado também por instituições como International Trade Center (ITC), Sebrae e Instituto da Hospitalidade.

Apesar do crescimento do destino turístico nos últimos três anos ter auxiliado as comunidades, gerando oportunidades de trabalho e renda e melhorias na infra-estrutura em saneamento básico, eletricidade e água, a população ainda enfrenta problemas sociais: analfabetismo, reduzido mercado de trabalho e exclusão social. "Nós estamos mudando a região. O processo já começou e o empreendimento significou uma revolução para a vida das pessoas que moram ali e para a economia das cidades vizinhas", explica Silva.

Escolhido pela Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do ITC, como projeto modelo de desenvolvimento social, com base no turismo, o Programa Berimbau tem como pilar o investimento em iniciativas sustentáveis que tenham sinergia com o turismo. Passa por ele, claro, o respeito ao meio ambiente e o fortalecimento de potencialidades locais, dentre as quais se destaca a valorização de manifestações culturais, com metas principais como a geração de mais de 2 mil empregos, a inserção social, o fortalecimento do associativismo, o respeito ao meio ambiente e, principalmente, a projeção da cultura local.

Existe apoio ao desenvolvimento de quatro cadeias produtivas - atividade primária, revitalização da pesca, artesanato e valorização da cultura. O Programa Berimbau beneficia 10 mil habitantes das comunidades de Areal, Canoas, Curralinho, Diogo, Estiva, Porto Sauípe, Vila Santo Antônio e Vila Sauípe.

Para gerar as oportunidades de trabalho necessárias à região, está sendo criado um ciclo produtivo por meio do qual as comunidades fornecerão produtos diversos ao mercado turístico. Esses produtos vão do adubo para ser utilizado nos jardins do empreendimento até o artesanato, hortaliças e peixes a serem consumidos pelos hóspedes, viabilizando a comercialização da produção no empreendimento.

O Programa Berimbau contempla ainda 41 ações, algumas delas já em andamento, que visam o desenvolvimento econômico e sustentável da região conhecida como Costa dos Coqueiros.

Entretenimento - A grandiosidade é importante no turismo, mas não é suficiente para convencer turistas a optar por um destino nas férias ou decidir qual será o local para receber uma convenção, um evento ou algo que agregue valor à marca e projete uma empresa ou uma organização. Pensando nisso, a Costa do Sauípe investe em entretenimento para encantar o público e já conta com ótimos resultados. A taxa de ocupação era de 48$%, subiu para 57% em 2005 e poderá atingir 60% neste ano. O faturamento no ano passado atingiu R$ 159 milhões, 34% superior à média dos dois anos anteriores.

Se os números empolgam, eles também redimensionam a carreira voltada para o turismo no Brasil e sinalizam que o marketing, o entretenimento, o respeito ao consumidor devem andar juntos tendo como base a profissionalização de todas as estruturas. Sem a dedicação de profissionais dessa área, um mega projeto como a Costa do Sauípe não sairia do papel. A carreira é muito mais do que alegria e diversão o ano todo: envolve planejamento, empatia, ética e, é claro, satisfação do cliente.

"Para chegar lá, é importante muito estudo", recomenda o diretor de marketing e entretenimento da Costa do Sauípe, Marcos Alexandre Silva, que é também vice-presidente da Associação dos Dirigentes de Vendas do Brasil na Bahia (ADVB). Economista formado pela PUC, especializado em Business pela Universidade da Califórnia, ele dirige a área há dois anos e meio e aposta no entretenimento para estimular a visitação de turistas brasileiros e estrangeiros ao complexo de fantasia e lazer situado na Bahia. Silva conversou com a Manager sobre o trabalho que vem desenvolvendo para tornar a Costa do Sauípe o sonho de consumo tanto de pessoas físicas quanto jurídicas. Responsável direto pela consolidação do conceito, o executivo é um contumaz defensor da profissionalização holística que leve sempre a preceitos novos de qualidade, bem superiores àqueles imediatamente anteriores. "Não estar satisfeito significa exigir mais de si mesmo o tempo todo, cobrar melhorias de processo que resultem em melhorias para os nossos públicos". Alguém na área de turismo, gestão, marketing ou entretenimento ousa dizer que ele está errado?

Manager - No que consiste o empreendimento? Há quanto tempo ele existe e qual é a sua diretriz nessa área?
Marcos Alexandre Silva - A Sauípe foi inaugurada há cinco anos. Localiza-se no litoral norte da Bahia, com cinco hotéis e uma pousada, que se divide em seis outras pousadas. São cinco hotéis: dois Sofitel, um Marriott, um Renaissance e o Breezes. Estou lá no Sauípe há 2 anos e meio, numa cidade que se chama Mata de São João, perto de Camaçari.

Manager - O que mudou nesse período?
Silva - Desde que eu e minha equipe assumimos, o complexo não tinha ocupação satisfatória para o seu tamanho. São 1,6 mil quartos. Desenvolvemos um plano de marketing junto com a THR (empresa espanhola que tem know-how até em atuação na área de imagem em Jogos Olímpicos), focado em trazer glamour, lapidar a imagem, o posicionamento e fazer da Costa do Sauípe um objeto de desejo. A idéia é que as pessoas pensem: "Puxa, eu gostaria de estar em Costa do Sauípe". Ou então: "Estive em Costa do Sauípe e quero voltar sempre que puder".

Manager - Foi desenvolvido um trabalho de imagem?
Silva - Um trabalho de imagem, reposicionamento, focar bastante no entretenimento porque hoje as pessoas sempre buscam, principalmente em Resort, entretenimento. É importante ter cama boa, boa estrutura de quarto, mas quartos bons existem em todos os lugares. O diferencial tem de ser o entretenimento também. E essa foi uma descoberta que nos abriu oportunidades de negócios.

Manager - E o que mudou no volume de ocupação?
Silva -Após focar o entretenimento no plano de marketing, fechamos 2005 na média de 57% de ocupação no Resort, saindo de uma taxa de ocupação de 48%.

Manager - E a meta para esse ano?
Silva - A meta pra esse ano está em chegar a 60%, o que significa crescer mais 3% no volume de ocupação.

Manager - Qual era faturamento com a ocupação de 48%?
Silva - Em 2004, nós conseguimos fechar no azul. E em 2005, tivemos o melhor resultado do empreendimento, com R$ 159 milhões de faturamento.

Manager - Qual é a avaliação que se faz desse valor?
Silva - Eu acho positivo. Não é um resort com 200 ou 300 apartamentos, trata-se de um empreendimento com 1,6 mil quartos. Portanto, falar em 60% de ocupação prevista para este ano é fabuloso, inclusive porque isso envolve o período de baixa temporada. Trabalhamos na área turística tanto no período de baixa quanto no de alta temporada. Temos momentos em que nossa taxa de ocupação chega a 100%, por exemplo, com grandes eventos. Por isso, tratamos de focar nisso.

Manager - Qual é a perspectiva para este ano em faturamento?
Silva - Acho que a gente, com o crescimento na ocupação de quartos, vai crescer no máximo 10%. No entanto, até por características sazonais os números são sempre rechecados e é cedo para afirmar com certeza qualquer projeção maior de crescimento. É certo que nós vamos crescer.

Manager - Quais foram os grandes eventos realizados ali?
Silva - Quando ingressei, tínhamos 13 eventos no ano. Em 2004, foram 33 eventos; em 2005, nós fomos pra 60 eventos e em 2006 a média até agora projeta a um volume de 66 eventos, mais de um evento por semana.

Manager - Era, praticamente, um evento a cada duas semanas, agora são dois por semana?
Silva - Se a gente pensar em 2003, era um por mês. Se você for ver eram 13 eventos, quando eu ingressei era um por mês, e tem muitos eventos corporativos que ainda serão fechados. E dentro desses grandes eventos que posso citar, nós temos o Brasil Open de Tênis, o Open de Golfe, o mundial de Surf. Temos também grandes leilões, tivemos agora o leilão do boi de capim que foi um sucesso, tivemos o leilão de cavalo manga larga e marchador, teremos vários lançamentos de carro em Costa do Sauípe, grandes convenções também de bancos e grandes empresas.

Manager - Esse complexo turístico emprega quantas pessoas?
Silva - Em torno de 2,7 mil pessoas.

Manager - Qual é a projeção que se faz para o quadro de funcionários em relação a esse ano? Ele deve crescer?
Silva - Sim, cresce bastante principalmente nos períodos de alta temporada quando há demanda muito maior e a gente contrata muita gente.

Manager - São vagas bem sazonais?
Silva - Perfeitamente. São recepcionistas de dezembro, janeiro e fevereiro até março porque a gente pega funcionários para o verão. Trabalhamos o mês de julho com força e novembro também. Portanto, o período de baixa é pequeno. Aliás, nem trato muito como baixa temporada porque temos grandes convenções. Nesta semana, por exemplo, não temos vaga, mesmo sendo um período de baixíssima temporada.

Manager - Com todos os fatores que existem, a economia fala num crescimento de 4,5%, e vocês poderão ter um crescimento no faturamento bem acima da média do PIB. Por quê?
Silva - Porque temos esse trabalho com as grandes convenções, grandes eventos preenchendo períodos de baixa com ocupação. Isso acaba ajudando bastante. Tem também o mercado internacional. Hoje Sauípe tem em torno de 35% a 37% de estrangeiros como hóspedes. Fazemos um trabalho internacional também.

Manager - Quantas pessoas visitam a Costa do Sauípe por ano?
Silva - Em média, por dia, temos em torno de 2,2 mil a 2,5 mil pessoas.

Manager - Qual é a maior dificuldade no gerenciamento operacional da área voltada a entretenimento e marketing?
Silva - Há excelentes profissionais no Nordeste que trabalham com essa área. A maior dificuldade é a questão do transporte em si.

Manager - O acesso de Salvador até à Costa?
Silva - Não. O acesso de São Paulo, do Rio. É claro que há vários vôos, mas a tendência ainda é crescer. Isso precisa ser melhorado, ou seja, é fácil chegar à Costa do Sauípe vindo de Salvador. O que precisamos é criar canais específicos que signifiquem a melhoria da malha aérea.

Manager - E qual é o trabalho específico na ADVB?
Silva - Melhorar essa nossa imagem, colocar mais a ADVB na frente do mercado, mostrar como a ADVB pode ajudar grandes empresas, profissionais de marketing também. Acho que a ADVB hoje é uma grande instituição, uma grande associação de marketing e dirigentes de vendas que pode ajudar a contribuir bastante em várias áreas. A idéia da ADVB hoje na Bahia é usar esse crescimento, gerar maior visibilidade, porque muita gente ainda não conhece.

Manager - De modo geral, o conceito de turismo mudou no Brasil?
Silva - Mudou e a tendência é mudar mais ainda. Hoje, em algumas universidades, o turismo é tão concorrido quanto o curso de medicina. O País está começando a ver a grande gama que pode ser investida na área de turismo, especialmente ecologia, meio ambiente. Há tendência também de crescimento na área de entretenimento. O profissional que pretende seguir nessa área deve estudar bastante, procurar pesquisar muito, acho que viajar é importante para ver os diferenciais, as culturas, acho que é muito importante. Além disso, a pessoa deve primar pelo profissionalismo porque tem gente que pensa que fazer turismo é sinônimo de muita viagem, de alegria. Nós lidamos o tempo todo com a satisfação do cliente, e o cliente sempre está no momento de lazer, ideal para ser impressionado.

Manager - Qual é, nessa linha, o diferencial de gestão do empreendimento da Costa do Sauípe?
Silva - O foco no entretenimento, a estrutura que ele possui. Você tem o centro eqüestre, o centro de golfe, o centro náutico, você tem uma vila nova da praia que é um mini-shopping com lojas, bares e restaurantes. E cada hotel tem um conceito diferente.

Manager - Por exemplo, qual é o conceito do Breezes?
Silva - O Breezes é all inclusive, ou seja, tudo incluído. Você tem toda a parte de alimentação incluída no pacote. Alguns hotéis também estão adotando esse sistema.

Manager - O que diferencia o gerenciamento dos 6 hotéis?
Silva - Cada hotel tem a sua estrutura. Por exemplo: o Sofitel é da Rede Accor; o Marriott e o Renaissance são da rede Marriott; o Breezes é do Super Clubs, e nós temos a Sauípe SA, um condomínio de todos esses hotéis.

Manager - O público é mais ou menos o mesmo em todos os estabelecimentos?
Silva - O público é mais ou menos o mesmo: um casal com dois filhos. Se uma família vai passar o fim de semana lá, em média, vai gastar R$ 800,00.

Manager - E a busca por apoio na iniciativa privada para realização de eventos com temas voltados para o esporte?
Silva - É algo que está em alta. O mercado esportivo hoje está movimentando bilhões no mundo todo e cada vez mais se especializando. Grandes eventos atuais contam com a participação do empresariado e grandes patrocinadores. Isso está ajudando na realização de eventos e na captação de patrocínios. O mundial de surf WQS foi fantástico.Impressionou bastante porque ninguém fazia idéia do mundo dos surfistas, do dia-a-dia deles. Esse evento durou uma semana só com surfistas na Costa do Sauípe. Trata-se de pessoas muito simpáticas, que gostam da natureza, de viver com água e ondas. Não fazíamos idéia da repercussão altamente positiva que teríamos. Foi uma mídia espontânea tremenda, uma cobertura jornalística fantástica, portanto, foi muito positiva, inclusive para os patrocinadores que também ficaram muito satisfeitos. Para este ano, estamos investindo ainda mais, com novos parceiros. Trabalhamos com todos os nichos de mercado, com todas as tribos.

Manager - Vocês fizeram o lançamento de um carro da Volkswagem recentemente?
Silva - Perfeitamente, o lançamento do Space Fox.

Manager - Qual é a marca pessoal da sua atividade na Costa do Sauípe nestes dois anos e meio?
Silva - A imagem da Costa do Sauípe como objeto de desejo, sonho de consumo. Essa mudança, o conceito das pessoas visualizarem Sauípe hoje como algo que desejam, algo como "poxa, eu quero estar lá". A gente fez uma parceria com a revista Quem, da Editora Globo, que começa em dezembro e termina em março. Toda semana você tem artistas em Costa do Sauípe curtindo suas famílias. Isso é interessante porque o hóspede está lá e pode-se estar ao lado de algum artista jantando ou até mesmo conhecer, conversar com o artista. Essa integração é ótima. Costa do Sauípe virou esse centro onde as pessoas podem curtir e se entreter.




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