Há algumas regras básicas de conduta que você deve ter durante a entrevista, não importando de que tipo ou em que momento esteja acontecendo. Essas regras não configuram um roteiro rígido, já que algumas das fases da entrevista poderão não ser desenvolvidas, ou mesmo repetidas em outra ordem.

O que importa aqui é sua postura de candidato diante do entrevistador, a relação que você deve estabelecer com ele e a empresa.

Abra-se

A primeira impressão pode não ser definitiva, mas ela é fundamental. Entre para entrevista aberto, pronto a "abraçar" seu entrevistador, a participar com ele.

Procure deixar de lado todas as suas concepções e conceitos prévios. Não coloque barreiras ao entrevistador ou à entrevista.

Procure demonstrar confiança e disposição. Elas se manifestam desde sua postura física até seu tom de voz. Também o aperto de mão é muito importante. Desde que o entrevistador estenda a mão dele!

Mão úmida é sinal de nervosismo, portanto, você deve tentar se acalmar antes da entrevista. Lembre-se: chegue sempre pelo menos com 15 minutos de antecedência para se ambientar, se acalmar...

De qualquer forma a maior parte dos entrevistadores sabe que a situação de entrevista gera um pouco de nervosismo e, portanto, ele não se surpreenderá com a "mão úmida".

Contudo, também o modo como é dado o aperto de mão é importante: deve ser firme, educado, sugerindo segurança e polidez.

Sente-se apenas após a indicação ou o convite do entrevistador e assuma uma postura ao mesmo tempo relaxada e contida.

Não cause a impressão de uma estátua ou robô sentado. Lembre-se de como você se comporta quando está na casa de alguém pela primeira vez. Esta postura social é suficientemente adequada.

Todos estes fatores são importantes, mas o mais importante neste momento em termos da relação indivíduo/indivíduo é como você estabelece essa relação, em termos de sua disposição interior.

Assim, colocar o entrevistador num pedestal (o chamado efeito "terra de gigantes", quando você se sente como um anão) ou mesmo considerá-lo inferior (também conhecido por "subir nos saltos"), são posturas que criarão inúmeras barreiras entre você e ele.

"Seja objetivo e verdadeiro em suas ações".

Não importa que tipo de pessoa ele seja, você deve assumir uma postura relacional que possibilite a troca de informações, ou seja, uma postura profissional, de igual para igual.

Lembre-se, são dois profissionais selecionando. Você está escolhendo uma empresa e um cargo, e o entrevistador está selecionando profissionais e perfis.

Perceba as necessidades do entrevistador

Após os momentos iniciais, a entrevista propriamente dita está em curso. Cabe agora a você participar dela como um elemento ativo. Primeiramente, nunca se limite a ser um "respondedor de perguntas".

Suponha que seu entrevistador inicie como uma pergunta tradicional do tipo: "Fale um pouco de você".

O normal é imaginar que ele queira saber alguma coisa sobre seu histórico profissional, mas nada garante isso e mesmo que você imagine ser este o objetivo, de que forma você deveria responder?

Tradicionalmente o que se espera é um resumo de seu histórico recente e algumas informações sobre seu perfil.

Mas você também pode optar por fazer uma pergunta específica: "O Sr. gostaria que eu falasse mais especificamente sobre minhas últimas realizações profissionais?" pode ser uma forma de pedir um caminho para sua resposta, ainda que aparentemente seja apenas uma pergunta em resposta a outra.

A essência desta abordagem deve ser: "Diga por onde quer eu vá, que eu seguirei sua orientação". Ou seja, ao mesmo tempo que você se coloca disposto a responder as indagações do entrevistador, também se mostra preocupado em objetivar suas respostas. Mas para tanto é preciso avaliar o estilo do entrevistador, identificando se ele está aberto à questões.

Isto fica fácil de entender se imaginarmos uma situação assim:

Informe bem

Esta fase indica o momento (ou momentos) em que você deve transformar a relação de entrevista numa fonte de informações sobre você.

De modo que, para cada pergunta, sua resposta deve conter uma informação que atenda diretamente às necessidades do entrevistador, além de propiciar uma visão de seu passado profissional.

A maior parte dos candidatos, quando perguntados, costumam fazer longas explanações sobre os assuntos.

Responda com objetividade, clareza e precisão.

Por exemplo: No meio de uma entrevista uma pergunta do tipo: "Quais são suas prioridades pessoais ?",normalmente deve ter sido gerada por uma soma de informações que foram trocadas entre você e seu entrevistador, de modo que a resposta não é simplesmente listar suas prioridades, mas sim relacioná-las tanto ao que você já descreveu até aquele momento, quanto com as prováveis necessidades inerentes ao cargo em questão.

Com este tipo de atitude a entrevista deixa de ser simplesmente uma relação de perguntador / respondedor para se transformar num diálogo mais rico e profundo de cunho profissional.

Vejamos agora que tipo de informações você precisa ter em mente e que serão importantes durante a entrevista.

Há algumas informações tradicionais (ou até mesmo óbvias) numa situação de entrevista. São elas:

Envolva

Nessa fase, você deve procurar envolver o entrevistador com seu interesse, procurar dar a ele motivos para pensar em você como um profissional diferenciado.

As informações que você levantou para a fase anterior são muito úteis também aqui, pois se você não assumir um papel ativo, a entrevista pode limitar-se a uma troca de informações de parte a parte.

Algumas entrevistas podem ser concluídas após a fase de troca de informações, ou seja, após o entrevistador ter ficado "satisfeito" com o que ele obteve de você em termos de seu perfil geral, que inclui dados de sua formação e experiência.

Contudo, você não pode ficar satisfeito apenas com isso.

Você deve mostrar mais, fornecer outros indicadores que o diferenciem como profissional, envolvê-lo, enfim.

O método para isto é formular uma questão que o qualifique.

Vejamos alguns exemplos

"Eu estive lendo que a área de... tem feito poucos investimentos em novos equipamentos. Qual é a política da empresa no momento?
Manter o parque instalado e investir em recursos humanos?"

"Num curso de... que fiz, falava-se muito em... Há alguma iniciativa neste sentido aqui na empresa?"

"Como é a política de treinamento da empresa?
Há algum tipo de reciclagem periódica prevista para minha área?"

"O meu cargo é novo ou irei substituir alguém? O cargo faz parte de alguma nova estratégia da área / empresa? "

"A política econômica do governo anda meio instável, não? Quais as estratégias da empresa para driblar este problema?"

"Você poderia me dizer quais são as principais diretrizes da minha área para o próximo ano / semestre?

Quais as expectativas quanto ao novo ocupante do cargo em relação a estas diretrizes? "

Como você pode perceber, estas questões podem ser aplicadas em qualquer entrevista e com a maioria dos entrevistadores.

Por exemplo, as quatro primeiras questões poderiam ser feitas a entrevistadores tanto na área de recursos humanos da empresa, quanto da sua área específica de atuação.

As duas últimas provavelmente seriam mais adequadas se fossem feitas à pessoa que irá contratá-lo, por exemplo, ou alguém com conhecimento desses assuntos.

O importante é que você utilize este espaço (se lhe for dado, claro!) da entrevista para se mostrar de forma diferenciada, colocando-se "ao lado" do entrevistador, como se você já fosse trabalhar com ele.

Nem sempre, contudo, o entrevistador estará disposto a lhe conceder este espaço para o aprofundamento da entrevista. Vários fatores podem condicionar tal atitude. Mas qualquer que seja a reação dele, não desanime; sua tentativa terá valido a pena.

Lembre-se também de que, caso ele lhe conceda esta abertura, você deve aproveitá-la ao máximo.

Daí a importância de você ter em mente uma série de informações / questões que possam ser trazidas ao diálogo num momento como este.

Aquele cursinho que você fez no ano anterior, o artigo que você leu na semana passada, a entrevista que você viu na televisão ou até mesmo a discussão que você teve em casa, podem conter elementos úteis relacionados com a colocação que você busca ou o próprio contexto da entrevista.

O que não se pode perder de vista é que sua relação com o entrevistador precisa ser mantida em termos profissionais e norteada pelo seu interesse e pelas necessidades dele.

Supere

Superar os obstáculos criados por você mesmo, pelo entrevistador ou pela própria situação da entrevista; é um procedimento fundamental em qualquer momento da entrevista. Mas, se ela chegou até aqui passando pelas demais fases descritas anteriormente, um obstáculo adquire um novo significado.

Portanto, nunca diga "não" ao entrevistador.

Dizer "não" neste contexto significa negar a posição ou opinião dele ou se negar a discutir algum aspecto ligado ao cargo.

Estratégica e diplomaticamente, permita que o entrevistador manifeste suas opiniões por mais absurdas que elas lhe pareçam.

Não se contraponha a elas simplesmente, admita-as como possíveis, mas não se furte de dar a sua opinião, inclusive questionando-as se for o caso.

Também não se negue a discutir qualquer aspecto teórico ou prático do seu trabalho: mostre-se flexível, o que não significa abrir mão de seus interesses e princípios.

Quando se tratar de um obstáculo criado por alguma intervenção por parte do entrevistador e que diz respeito a aspectos pessoais ou éticos, não reaja emocionalmente. Procure analisar a questão e responder com base em seus valores, sem contudo parecer um "pregador".

Afirme seu ponto de vista cuidadosamente, mas seja suficientemente flexível para admitir outros pontos de vista, principalmente aquele expresso pelo entrevistador.

Mas vejamos que tipos de intervenções ou perguntas podem criar este tipo de situação:

Estes são apenas alguns exemplos.

O importante é que você tenha em mente a necessidade de superar obstáculos de modo produtivo.

Conclua

Se a entrevista deve ser encarada como uma relação profissional, você deve se preocupar com a sua conclusão. Feche um ciclo definido. Este ciclo varia de entrevista para entrevista, já que um primeiro contato pode ser concluído muito mais rapidamente do que uma segunda entrevista, por exemplo.

O importante é que você tenha em mente os limites do entrevistador, e os limites que ele criou para aquela entrevista em particular. Se você desenvolveu uma relação com ele durante a entrevista, será fácil identificar os limites impostos.

Lembre-se de não desconsiderar a presença do entrevistador: muitos candidatos esquecem que estão falando para alguém e se perdem em divagações e ilações inúteis ao processo.

Se a entrevista propiciou o desenvolvimento de temas mais profundos, a probabilidade de que você se empolgue é maior ainda. Assim, não perca de vista que o objetivo é ser adequado aos olhos do entrevistador.

Como as entrevistas habitualmente costumam durar em torno de uma hora, controle o tempo para que você tenha uma dimensão do ponto em que a entrevista está.

Se perceber que ela se encaminha para o final (e você deve perceber !) procure comprometer-se com o processo. "Este nosso contato está sendo muito produtivo e interessante, espero poder voltar a conversar com você", é uma boa forma de mostrar ao entrevistador seu interesse quanto ao cargo, à entrevista em si e ao restante do processo de seleção.

Caso o entrevistador dê espaço, e se nada houver sido dito antes, questione-o quanto ao resto do processo, não de forma incisiva, mas demonstrando-se entusiasmado e interessado.

Finalmente, espere pela indicação dele de que a entrevista está concluída e preocupe-se em deixar uma imagem final tão ou mais positiva do que aquela que você criou no início.

Agradecer pela oportunidade e a atenção é uma forma ao mesmo tempo profissional e gentil de se despedir, e pode até mesmo incluir o tradicional "espero que possamos voltar a conversar..."

Resumo

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